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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Sao loucas! sao loucas! loucas...
Eu sei, meu amor, Que nem chegaste a partir Pois tudo em meu redor Me diz que estas sempre comigo Eu sei, meu amor, Que nem chegaste a partir Pois tudo em meu redor Me diz que estas sempre comigo De manha, que medo, que me achasses feia! Acordei, tremendo, deitada na areia Mas logo os teus olhos disseram que nao, E o sol penetrou no meu coracao Mas logo os teus olhos disseram que nao, E o sol penetrou no meu coracao Vi depois, numa rocha, uma cruz, E o teu barco negro dancava na luz Vi teu braco acenando, entre as velas ja soltas Dizem as velhas da praia que nao voltas: Sao loucas! loucas... Eu sei, meu amor, .... .... .... No vento que lanca areia nos vidros; Na agua que canta, no fogo mortico; No calor do leito, nos bancos vazios; Dentro do meu peito, estas sempre comigo No calor do leito, nos bancos vazios; Dentro do meu peito, estas sempre comigo ( solo ) Eu sei, meu amor, .... .... .... |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
As coisas vulgares que ha na vida
Nao deixam saudades So as lembrancas que doem Ou fazem sorrir Ha gente que fica na historia da historia da gente e outras de quem nem o nome lembramos ouvir Sao emocoes que dao vida a saudade que trago Aquelas que tive contigo e acabei por perder Ha dias que marcam a alma e a vida da gente e aquele em que tu me deixaste nao posso esquecer A chuva molhava-me o rosto Gelado e cansado As ruas que a cidade tinha Ja eu percorrera Ai... meu choro de moca perdida gritava a cidade que o fogo do amor sob chuva ha instantes morrera A chuva ouviu e calou meu segredo a cidade E eis que ela bate no vidro Trazendo a saudade |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Ha festa na Mouraria,
E dia da procissao Da Senhora da Saude. Ate a Rosa Maria, Da Rua do Capelao, Parece que tem virtude. Colchas ricas nas janelas, Petalas soltas no chao, Almas crentes, povo rude. Anda a fe pelas vielas, E dia da procissao Da Senhora da Saude. Apos um curto rumor, Profundo silencio pesa, Por sobre o Largo da Guia. Passa a Virgem no andor, Tudo se ajoelha e reza, Ate a Rosa Maria. Como que petrificada, Em fervorosa oracao, E tal a sua atitude, Que a rosa ja desfolhada, Da Rua do Capelao, Parece que tem virtude. |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Sou do fado
Como sei Vivo um poema cantado De um fado que eu inventei A falar Nao posso dar-me Mas ponho a alma a cantar E as almas sabem escutar-me Chorai, chorai Poetas do meu pais Troncos da mesma raiz Da vida que nos juntou E se voces nao estivessem a meu lado Entao nao havia fado Nem fadistas como eu sou Esta voz tao dolorida E culpa de todos vos Poetas da minha vida E loucura, ouco dizer Mas bendita esta loucura de cantar e de sofrer Chorai, chorai Poetas do meu pais Troncos da mesma raiz Da vida que nos juntou E se voces nao estivessem a meu lado Entao nao havia fado Nem fadistas como eu sou |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
E varina, usa chinela,
Tem movimentos de gata Na canastra, a caravela, No coracao, a fragata Na canastra, a caravela, No coracao, a fragata Em vez de corvos no xaile Gaivotas vem pousar Quando o vento a leva ao baile, Baila no baile com o mar Quando o vento a leva ao baile Baila no baile com o mar E de conchas o vestido Tem algas na cabeleira E nas veias o latido Do motor duma traineira E nas veias o latido Do motor duma traineira Vende sonho e maresia, Tempestades apregoa, Seu nome proprio - maria, Seu apelido - lisboa Seu nome proprio - maria Seu apelido - lisboa |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
E meu e vosso este fado
Destino que nos amarra Por mais que seja negado As cordas de uma guitarra Sempre que se ouve o gemido De uma guitarra a cantar Fica-se logo perdido Com vontade de chorar O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi E pareceria ternura Se eu me deixasse embalar Era maior a amargura Menos triste o meu cantar O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi (SOLO) O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
E meu e vosso este fado
Destino que nos amarra Por mais que seja negado As cordas de uma guitarra Sempre que se ouve o gemido De uma guitarra a cantar Fica-se logo perdido Com vontade de chorar O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi E pareceria ternura Se eu me deixasse embalar Era maior a amargura Menos triste o meu cantar O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi (SOLO) O gente da minha terra Agora e que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vos que recebi |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Ouca la, o senhor vinho
Vai responder-me, mas com franqueza, Porque e que tira toda a firmeza A quem encontra no seu caminho? La por beber um copinho a mais, Ate pessoas pacatas, amigo vinho, Em desalinho, Vossa merce faz andar de gatas! E mau o procedimento E a intencao daquilo que faz, Entra-se em desiquilibrio, Nao ha equilibrio que seja capaz, As leis da fisica falham E a vertical de qualquer lugar Oscila sem se deter e deixa de ser prependicular! Eu ja fui, responde o vinho, A folha solta a bailar ao vento Que o raio de Sol do firmamento Me trouxe a uva doce carinho. Ainda guardo o calor do Sol E assim eu ate dou vida, Aumento o valor seja de quem for Na boa conta, peso e medida E so faco mal a quem me julga ninguem, Faz pouco de mim, Quem me trata como agua, E ofensa paga, eu ca sou assim Vossa merce tem razao, E ingratidao falar mal do vinho E a provar o que digo Vamos, meu amigo, a mais um copinho (Instrumental) Eu ja fui, responde o vinho, A folha solta a bailar ao vento Que o raio de Sol do firmamento Me trouxe a uva doce carinho. Ainda guardo o calor do Sol E assim eu ate dou vida, Aumento o valor seja de quem for Na boa conta, peso e medida E so faco mal a quem me julga ninguem, Faz pouco de mim, Quem me trata como agua, E ofensa paga, eu ca sou assim Vossa merce tem razao, E ingratidao falar mal do vinho E a provar o que digo Vamos, meu amigo, a mais um copinho |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Oxala
Nao te entristeca meu fado Meu astro signo real Nasceste ao mar acostado No extremo ocidental O ceu iluminaste Com tua luz dourada Espada que outrora ergueste E que hoje e quase nada Mistica luz dourada Oxala Nao te entristeca meu fado Meu astro signo real Nasceste ao mar acostado No extremo ocidental Devolve o meu anseio Canto-te a flor da voz O teu destino inteiro E oxala... Nao te entristeca meu fado Meu astro signo real Dormindo ao mar acostado Acorda Portugal |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Ai as almas dos poetas
Nao as entende ninguem; Sao almas de violetas Que sao poetas tambem. Andam perdidas na vida, Como as estrelas no ar; Sentem o vento gemer Ouvem as rosas chorar! So quem embala no peito Dores amargas e secretas E que em noites de luar Pode entender os poetas E eu que arrasto amarguras Que nunca arrastou ninguem Tenho alma pra sentir A dos poetas tambem! |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
E canto so para ti
Derramo a voz e o pranto Que te canta como eu canto E por ti e so por ti Derramo a voz e o pranto Que te canta como eu canto E por ti e so por ti Dou a guitarra e ao xaile Caminhos de Santiago Cega-me o po neste vale Que o vento so por meu mal Acende fogos que apago Cega-me o po neste vale Que o vento so por meu mal Acende fogos que apago Ha tanta melodia, tanta Que o vento traz nos sentidos Sinfonias que me encantam Parece as vezes que cantam Fados de amores proibidos Sinfonias que me encantam Parece as vezes que cantam Fados de amores proibidos Eu trago a estrada da vida Guardada na minha mao Que pensa perder-se na ida Com medo de nao ter partida Dentro do meu coracao Que pensa perder-se na ida Com medo de nao ter partida Dentro do meu coracao |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Se a minha alma fechada
Se pudesse mostrar, E o que eu sofro calada Se pudesse contar, Toda a gente veria Quanto sou desgracada Quanto finjo alegria Quanto choro a cantar... Que Deus me perdoe Se e crime ou pecado Mas eu sou assim E fugindo ao fado, Fugia de mim. Cantando dou brado E nada me doi Se e pois um pecado Ter amor ao fado Que Deus me perdoe. Quanto canto nao penso No que a vida e de ma, Nem sequer me pertenco, Nem o mal se me da. Chego a querer a verdade E a sonhar - sonho imenso - Que tudo e felicidade E tristeza nao ha. |
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from Mariza - Fado : Em Mim (2003)
Minha terra dagua, ao cair da magoa
Aconteca estarmos sos E a minha alma faz-se voz Pra contar que as penas Das aguas serenas que o teu fado quis O meu pais Minha patria dagua, os meus olhos afago A quem mil noites te sonhar E em meu fado, este cantei Minha terra dagua Ao cair da magoa, por ti, sou feliz O meu pais. |
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from Unity [project] (2004)
A Thousand Years - Sting
A thousand years, a thousand more, A thousand times a million doors to eternity I may have lived a thousand lives, a thousand times An endless turning stairway climbs To a tower of souls If it takes another thousand years, a thousand wars, The towers rise to numberless floors in space I could shed another million tears, a million breaths, A million names but only one truth to face A million roads, a million fears A million suns, ten million years of uncertainty I could speak a million lies, a million songs, A million rights, a million wrongs in this balance of time But if there was a single truth, a single light A single thought, a singular touch of grace Then following this single point , this single flame, The single haunted memory of your face I still love you I still want you A thousand times the mysteries unfold themselves Like galaxies in my head I may be numberless, I may be innocent I may know many things, I may be ignorant Or I could ride with kings and conquer many lands Or win this world at cards and let it slip my hands I could be cannon food, destroyed a thousand times Reborn as fortune's child to judge another's crimes Or wear this pilgrim's cloak, or be a common thief I've kept this single faith, I have but one belief I still love you I still want you A thousand times the mysteries unfold themselves Like galaxies in my head On and on the mysteries unwind themselves Eternities still unsaid 'Til you love me |
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from Mariza - Transparente (2005)
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidao imensa! Eu queria ser a Pedra que nao pensa, A pedra do caminho, rude e forte! Eu queria ser o Sol, a luz intensa, O bem do que e humilde e nao tem sorte! Eu queria ser a arvore tosca e densa Que ri do mundo vao e ate da morte! Mas o Mar tambem chora de tristeza… As arvores tambem, como quem reza, Abrem, aos Ceus, os bracos, como um crente! E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia, Tem lagrimas de sangue na agonia! E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!... |
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from Mariza - Transparente (2005)
Duas lagrimas de orvalho
Cairam nas minhas maos Quando te afaguei o rosto Pobre de mim pouco valho P'ra te acudir na desgraca P'ra te valer no desgosto Porque choras nao me dizes Nao e preciso dize-lo Nao dizes eu adivinho Os amantes infelizes Deveriam ter coragem Para mudar de caminho P'lo amor damos a alma Damos corpo damos tudo Ate cansarmos na jornada Mas quando a vida se acalma O que era amor e saudade E a vida ja nao e nada Se estas a tempo, recua Amordaca o coracao Mata o passado e sorri Mas se nao estas, continua Disse-me isto minha mae Ao ver-me chorar por ti |
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from Mariza - Transparente (2005)
Nasceu de ser Portugues
Fez-se a vida pelo mundo Foi p'lo sonho vagabundo Foi pela terra abracado Bem querido ou mal amado O Fado Viveu de ser Portugues Foi alegre e foi gingao Por ser um fado e cancao Por ser futuro e passado Mal querido ou bem amado O Fado Cada vez mais Portugues Anda nas asas do vento As vezes solta um lamento E pede p'ra ser achado Ele e querido, ele e amado O Fado |
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from Mariza - Transparente (2005)
Por mais que eu queira ou nao queira
Salta-me a voz para a cantiga Por mais que eu faca ou nao faca Quem manda e ela, por mais que eu diga Por mais que eu sofra ou nao sofra Ela e quem diz por onde vou Por mais que eu peca ou nao peca Nao tenho mao na voz que sou. Mesmo que eu diga que nao quero Ser escrava dela e deste fado Mesmo que fuja em desespero Ela aparece em qualquer lado Mesmo que vista algum disfarce Ela descobre-me a seguir Mesmo que eu chore ou nao chore A voz que eu sou desata a rir. Por mais que eu quisesse ter So um minuto de descanso Por muito que eu lhe prometesse Voltar a ela e ao seu canto Por muito que eu fizesses juras A esta voz que nao me deixa Perguntou sempre tresloucada: Eu ja te dei razao de queixa? Por muito que eu apague a chama Ela renasce ainda maior Por muito que eu me afaste dela Fica mais perto e ate melhor Por mais que eu queira entender A voz que tenho e tao teimosa Por mais que eu lhe tire a letra Faz por esquecer e canta em prosa. |
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from Mariza - Transparente (2005)
Ha palavras que nos beijam
Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperanca, De imenso amor, de esperanca louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas, inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No marmore distraido No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite e mais forte, Ao silencio dos amantes Abracados contra a morte. |
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from Mariza - Transparente (2005)
Ha uma musica do Povo
Nem sei dizer se e um Fado ? Que ouvindo-a ha um ritmo novo No ser que tenho guardado... Ouvindo-a sou quem seria Se desejar fosse ser ... E uma simples melodia Das que se aprendem a viver... Mas e tao consoladora A vaga e triste cancao... Que a minha alma ja nao chora Nem eu tenho coracao... Sou uma emocao estrangeira, Um erro de sonho ido... Canto de qualquer maneira E acabo com um sentido |
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from Mariza - Transparente (2005)
Mal me quer a solidao
Bem me quer a tempestade Mal me quer a ilusao Bem me quer a liberdade Mal me quer a voz vazia Bem me quer o corpo quente Mal me quer a alma fria Bem me quer o sol nascente Mal me quer a casa escura Bem me quer o ceu aberto Bem me quer o mar incerto Mal me quer a terra impura Mal me quer a solidao Entre o fogo e a madrugada Mal me quer ou bem me quer Muito, pouco, tudo ou nada... |
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from Mariza - Transparente (2005)
Quem dorme a noite comigo
E meu segredo, Mas se insistirem, lhes digo, O medo mora comigo, Mas so o medo, mas so o medo. E cedo porque me embala Num vai-vem de solidao, E com silencio que fala, Com voz de movel que estala E nos perturba a razao. Gritar: quem pode salvar-me Do que esta dentro de mim Gostava ate de matar-me, Mas eu sei que ele ha-de esperar-me Ao pe da ponte do fim. |
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from Mariza - Transparente (2005)
Trago um Fado no meu canto,
Canto a noite ate ser dia Do meu povo trago o pranto No meu canto a Mouraria Tenho saudades de mim Do meu amor mais amado Eu canto um pais sem fim O mar, a terra, o meu Fado Meu Fado Meu De mim so me falto eu Senhora da minha vida Do sonho, digo que e meu E dou por mim ja nascida Trago um Fado no meu canto Na minh'alma vem guardado Vem por dentro do meu espanto A procura do meu Fado Meu Fado Meu |
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from Mariza - Transparente (2005)
Ando na berma
Tropeco na confusao Desco a avenida E toda a cidade estende-me a mao Sigo na rua, a pe, e a gente passa Apressada, falando, o rio defronte Voam gaivotas no horizonte So o teu amor e tao real So o teu amor… Sao montras, ruas E o transito Nao para ao sinal Sao mil pessoas Atravessando na vida real Os desenganos, emigrantes, ciganos Um dia normal, Como a brisa que sopra do rio Ao fim da tarde Em Lisboa afinal So o teu amor e tao real So o teu amor… Gente que passa A quem se rouba o sossego Gente que engrossa As filas do desemprego, Sao vendedores, policias, bancas, jornais Como os barcos que passam tao perto Tao cheios Partindo do cais So o teu amor e tao real So o teu amor… |
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from Mariza - Transparente (2005)
Quando me sinto so,
Como tu me deixaste, Mais so que um vagabundo Num banco de jardim E quando tenho do, De mim e por contraste Eu tenho odio ao mundo Que nos separa assim. Quando me sinto so Sabe-me a boca a fado Lamento de quem chora A sua triste magoa Rastejando no po Meu coracao cansado Lembra uma velha nora Morrendo a sede de agua. P'ra que nao facam pouco Procuro nao gritar A quem pergunta minto Nao quero que tenham do Num egoismo louco Eu chego a desejar Que sintas o que sinto Quando me sinto so. |
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from Mariza - Transparente (2005)
Se ser fadista e ser lua
E perder o sol de vista Ser estatua que se insinua Entao eu nao sou fadista. Se ser fadista e ser triste E ser lagrima prevista Se por magoa o fado existe Entao eu nao sou fadista. Se ser fadista e, no fundo, Uma palavra trocista Rocando as bocas do mundo Entao eu nao sou fadista Mas se e partir a conquista De tanto verso ignorado Entao eu nao sou fadista Eu sou mesmo o proprio fado! |
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from Mariza - Transparente (2005)
Este amor, este meu fado,
Tao vivido e magoada Entre o sim e o todavia, Este amor desgovernado, Marcado a fogo e calcado Em funda melancolia Este amor dilacerado, Este amor que noite e dia Me arrebata e me agonia, Este amor desenganado, De saudades macerado, A encher-me a vida vazia, Este amor alucinado, Este amor que desvaria Entre o luto e a alegria, Sendo assim desencontrado Meu amor desesperado, Que outro amor eu cantaria? |
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from Mariza - Transparente (2005)
Com o a agua da nascente
Minha mao e transparente Aos olhos da minha avo. Entre a terra e o divino Minha avo negra sabia Essas coisas do destino. Desagua o mar que vejo Nos rios desse desejo De quem nasceu para cantar. Um Zambeze feito Tejo De tao cantado q'invejo Lisboa, por la morar. Vejo um cabelo entrancado E o canto morno do fado Num xaile de caracois. Como num conto de fadas Os batuques sao guitarras E os coqueiros, girassois. Minha avo negra sabia Ler as coisas do destino Na palma de cada olhar. Queira a vida ou que nao queira Disse deus a feiticeira Que nasci para cantar. |
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